Em baixo de uma das figueiras, da Granja Lia
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Caminhos Rurais de Porto Alegre
UM PASSEIO PELOS CAMINHOS RURAIS DE PORTO ALEGRE
O grupo de aposentados do 20º
Núcleo do CPERS/Sindicato costuma realizar um ou dois passeios por ano.
No último dia 09 de julho o
roteiro escolhido foi o “Caminhos Rurais
de Porto Alegre".
Foi muito interessante conhecer
esta outra face de nossa capital, tão próxima e que a gente não conhecia.
Visitamos o Sítio Dom Guilherme,
o Sítio Capororoca, a Granja Lia, onde almoçamos, o Calçadão do Lami, o Sítio
do Tio Juca, o Artesanato da Pipa e o Santuário de Nossa Senhora Mãe de Deus,
padroeira de Porto Alegre, erguido num morro que permite uma vista de 360º da
cidade.
Um Marco Histórico
ONZE
DE JULHO, UM MARCO HISTÓRICO
O dia 11 de julho de 2013 será, com certeza,
um marco histórico, para gaúchos e brasileiros.
Depois dos protestos de junho e como
consequência deles, as centrais sindicais, que desde 1998 lutavam
separadamente, se uniram e convocaram o Dia Nacional de Lutas, que
se transformou num renascimento para o movimento sindical, que andava
bastante acanhado e de outro lado, no despertar dos jovens, que desde
o mês de junho vem realizando protestos por todo o país e no dia 11
de julho, se juntaram aos trabalhadores.
Para a geração que era jovem na década de
1960, antes do golpe militar, os protestos e o Dia Nacional de Lutas
trouxeram a lembrança de suas lutas, comuns naquela época e que
foram encolhendo após o golpe militar de 1964, em decorrência da
forte repressão. Para os jovens que saíram às ruas e que na sua
maioria, formam a primeira geração pós-ditadura, foi uma novidade
e o despertar da consciência da importância da luta, para a
obtenção de conquistas necessárias à sociedade.
A medida que, os protestos foram acontecendo e,
como consequência do Dia Nacional de Lutas, os sindicalistas
chegaram a uma pauta comum, com a defesa de velhas bandeiras,
concentradas principalmente, no fim do fator previdenciário, na
jornada de 40 horas sem redução de salário e no aprofundamento da
reforma agrária.
De outro lado, os protestos de junho também
foram apontando sua pauta em torno de melhores serviços públicos
para os brasileiros, especialmente mais verbas para a saúde e para
uma educação de qualidade, além do fim da corrupção e o repúdio
aos atuais partidos políticos, pela constatação da falência do
atual sistema político-partidário. Entre as reivindicações estão
também a democratização dos meios de comunicação e a taxação
das grande fortunas.
Para os governantes, a hora é de negociar,
sentar à mesa, ouvir a reivindicações e resolver, o mais rápido
possível, as demandas da população.
Para o historiador americano, Marshall Eakin,
estudioso das questões do Brasil, o grande desafio para os próximos
meses é a mobilização nacional se sobrepor à lentidão estatal.
Parece-nos que o maior entrave às exigências
da população está no Legislativo, que nesta semana já sepultou o
Plebiscito proposto pela Presidente Dilma, para a reforma política,
que não encontra apoio entre a maioria conservadora do Congresso
Nacional.
Uma coisa é certa, os governantes levaram um
grande susto com as mobilizações e, a partir de agora, sabem que a
população estará atenta a seus atos e, se for preciso, voltará às
ruas.
Marina Lima Leal
Julho de 2013
sábado, 6 de julho de 2013
Plebiscito e Referendum
FORMAS DE PARTICIPAÇÃO POPULAR
O conceito de
democracia nos vem da Grécia, através de Aristóteles. Segundo conceito clássico
é o governo do povo pelo povo e para o povo.
As chamadas
democracias gregas eram diretas, ou seja, os cidadãos reuniam-se em assembléias
para resolver os assuntos mais importantes do governo das cidades. É importante
lembrar que, como cidadãos, eram considerados apenas os homens livres; os
escravos, que eram a maioria, não tinham nenhum direito.
Atualmente, no
mundo moderno, a democracia direta seria praticamente impossível, porque os Estados
tem geralmente um grande território, um número muito grande de habitantes e os
negócios públicos são numerosos, complexos, de natureza técnica.
Por todos
estes motivos, as democracias modernas são necessariamente, representativas, ou
seja, os cidadãos elegem seus representantes, delegando a eles o poder.
A democracia
representativa é o sistema mais comum de governo, mas nos últimos tempos ela
tem se tornado insuficiente e tem emergido novas formas, que envolvem mais a
comunidade e auxiliam o cidadão a ter maior controle sobre o poder público,
podendo-se afirmar que vem surgindo um outro tipo de democracia, chamada por
alguns estudiosos, como democracia semi-direta.
Entre as formas
de participação popular podemos citar: o
Plebiscito, o Referendum, os Conselhos, as
Leis de Iniciativa Popular, o Orçamento Participativo.
Nos dias
atuais, como consequência dos protestos, que se espalharam por todo o Brasil, a
presidente Dilma Rousseff propôs a realização de um Plebiscito, com a
finalidade de ouvir o povo sobre a Reforma Política, que há muito é aguardada
pela sociedade. Alguns políticos sugerem o Referendum.
Como o povo brasileiro, historicamente, não
tem praticado com frequência, estas formas de participação, surgem muitas
dúvidas, que tentaremos esclarecer:
Plebiscito
é uma consulta ao povo antes de uma lei ser elaborada, de modo a aprovar
ou rejeitar as opções que lhe são propostas. O povo delibera sobre um
determinado assunto.
Referendum ou Referendo é uma consulta
ao povo após a lei ser elaborada, mas antes de entrar em vigor. O povo é chamado a
ratificar ("sancionar") a lei já aprovada pelo Parlamento ou a
rejeitá-la.
Darcy Azambuja,
no seu livro “Teoria Geral do Estado” conceitua o “Plebiscito como Referendum Consultivo,
quando o povo é chamado a pronunciar-se sobre a conveniência ou não de uma lei
a ser feita pelo Parlamento e Referendum Deliberativo, quando a consulta ao
povo é posterior à elaboração da lei”.
Ambos os
instrumentos são importantes, porque se constituem em formas de participação do povo nas decisões do
governo e, os recentes protestos nos indicam, que o povo não quer mais apenas
votar, mas participar ativamente das resoluções políticas, porque elas afetam,
de um jeito ou outro, a vida de todos e de cada um dos brasileiros.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
O CLAMOR DAS RUAS
AS PRIMEIRAS
PROVIDÊNCIAS, APÓS O CLAMOR DAS RUAS
Na tarde da 2ª
feira, 24 de junho a presidente Dilma Rousseff, se reuniu com governadores e
prefeitos das capitais para discutirem um pacto, na tentativa de dar uma
resposta aos protestos que vem ocorrendo no país.
As cinco
propostas para dar mais transparência ao sistema político e melhorar os
serviços públicos foram aprovadas pelos 27 governadores e 26 prefeitos presentes
e passarão a ser discutidas em grupos de trabalho.
São cinco os
pactos nacionais: por educação, saúde, reforma política, transporte e
responsabilidade fiscal:
Educação: a
presidente pediu mais recursos para a área e reforçou que é necessário que o
Congresso aprove a destinação de 100% dos recursos dos royalties do petróleo
para a educação.
Saúde:
anunciou novas vagas na graduação em cursos de medicina e novas vagas na
residência médica, além da contratação de médicos estrangeiros, para trabalhar
nas zonas do interior do Brasil, onde há ausência ou escassez destes
profissionais.
Reforma
política: realização de um plebiscito popular sobre o tema e a inclusão da
corrupção como crime hediondo.
Transporte: a
presidente reconheceu que é preciso melhorar o transporte público, com mais
metrôs, veículos leves sobre trilhos e corredores de ônibus. Aliás, em relação
ao transporte já aconteceram avanços, pois em muitas capitais as passagens
tiveram o preço reduzido ou congelado.
Responsabilidade
Fiscal: é necessário que, nas três esferas de governo, haja responsabilidade
fiscal, ou seja, controle dos gastos, que devem ser condicionados à capacidade
de arrecadação dos impostos.
No dia
seguinte, terça dia 25 de junho, mais uma vitória, desta vez na, Câmara de
deputados que derrubou a PEC 37, que limitava o poder de investigação do
Ministério Público, por 430 votos contra a Emenda e apenas 9 a favor. No início da
madrugada, o plenário aprovou a questão
dos royalties, prevendo o uso de 25% para a saúde e 75% para a educação. A
matéria agora ainda tem que passar pelo Senado.
Na quarta
feira, 26 de junho, foi a vez do Senado responder aos protestos, transformando
a corrupção em crime hediondo. O projeto estava tramitando desde 2011. Agora
vai para a apreciação da Câmara de Deputados.
Como se
percebe, os protestos começam a dar resultados. O povo se deu conta de que é
necessário algo mais do que votar em determinados candidatos. É preciso
acompanhar o trabalho dos eleitos e usar o protesto como recurso, no caso de
suas reivindicações não serem atendidas, pois são muitos os interesses em jogo
e a tendência é de quem tem mais poder conseguir suas demandas em prejuízo dos
pleitos da maioria do povo.
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